Muitas vezes me pergunto porque é tamanha a minha vontade de fugir. Me persigo várias vezes com essa ideia. Talvez seja vontade de se ter vontade por algo que não se tem ou apenas carência. Fugir pra quê e por que? De alguém? De mim mesmo? Não sei. A vontade vem se instala e demora para ir embora e quando vai deixa a porta aberta como promessa de que vai voltar. A porta não possui tranca, e isso é ruim porque facilita a entrada de pessoas efêmeras que se vestem de sentimentos rasgados e roubados de algum lugar. Fazem a sua bagunça como qualquer hóspede sem convite, alguns se instalam nos cômodos que encontram e depois que satisfazem suas necessidades básicas vão embora. Eu não os vejo indo embora, e nem sei se quando se vão utilizam a mesma entrada. Talvez pulem a janela que está quebrada, aquela que faz barulho a cada tempestade por ser muito antiga. Precisa ser substituida por outras mais amplas, aquelas do tipo que possibilitam enxergar além do que se costuma ver. Visto que os olhos estão cansado de tanta goteira que se escondem na cozinha, no banheiro e pela sala. O que fazer se eu tenho medo de subir no telhado e olhar ao meu redor? O medo é da altura e do tombo. O medo que construi em mim para me tornar o próprio quarto escuro, o quarto do castigo. Sem cama, sem lençol e sem travesseiro. Apenas o canto, o canto que não me faz bem, mas que por algumas vezes me surpreende dando conforto, ou seja, a comodidade.

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